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Zona de Convergência do Atlântico Sul: o que é, como se forma e seus impactos no Brasil

Publicado em 26/11/2025 13:06 | Categoria: Clima | 833

Foto de Marcos Santos
Por Marcos Santos
A Zona de Convergência do Atlântico Sul é um corredor de nuvens que se estende do sul da Amazônia até o Oceano Atlântico, atravessando o Centro-Oeste, Sudeste e parte do Nordeste. Esse corredor se forma pela convergência de ventos carregados de umidade, criando uma faixa contínua de nebulosidade que pode permanecer ativa por vários dias.

Diferente das pancadas rápidas de verão, a ZCAS provoca chuvas persistentes e volumosas, que podem acumular centenas de milímetros em poucos dias. Essa característica faz dela um dos sistemas mais relevantes para o regime hídrico do país.

Como se forma

A formação da ZCAS depende da interação de diferentes sistemas atmosféricos:

  • Ventos alísios do Atlântico: transportam umidade para o continente.

  • Zona de Convergência Intertropical (ZCIT): influencia a circulação atmosférica em latitudes tropicais.

  • Alta da Bolívia: sistema de alta pressão em níveis médios da atmosfera que organiza a convecção e favorece a formação de nuvens.

Essa combinação cria condições ideais para chuvas contínuas e intensas. A ZCAS pode permanecer ativa por vários dias, o que a diferencia de outros sistemas meteorológicos mais passageiros.

Regiões mais afetadas

  • Centro-Oeste e Sudeste: são as áreas mais impactadas, com chuvas fortes que podem causar enchentes urbanas e deslizamentos.

  • Nordeste (Bahia e norte de Minas Gerais): também sofre efeitos, especialmente em anos de maior intensidade.

  • Sul do Brasil: raramente é afetado, mas pode sentir reflexos indiretos.

Impactos econômicos e sociais

A ZCAS tem efeitos positivos e negativos:

  • Agricultura: garante água para culturas como soja, milho e café, fundamentais para a economia.

  • Energia: contribui para a recarga de reservatórios hidrelétricos, essenciais para a matriz energética brasileira.

  • Sociedade: pode provocar tragédias climáticas, como enchentes e deslizamentos, afetando milhares de pessoas.

Exemplos históricos

  • Janeiro de 2011: chuvas extremas na Região Serrana do Rio de Janeiro, com centenas de mortes.

  • Dezembro de 2021 e janeiro de 2022: episódios intensos em Minas Gerais e Bahia, com enchentes que desabrigaram milhares de famílias.

Esses casos mostram como a ZCAS pode transformar-se em um risco grave quando se intensifica.

Relação com mudanças climáticas

Pesquisas indicam que o aquecimento global pode tornar a ZCAS mais irregular e intensa.

  • O aumento da temperatura do Atlântico Sul intensifica a disponibilidade de umidade.

  • Eventos extremos tendem a ser mais frequentes, aumentando os riscos de desastres naturais.

Isso exige maior atenção de governos e sociedade para medidas de prevenção e adaptação.

Monitoramento e previsão

A ZCAS é monitorada por instituições como o INMET e o Climatempo, que utilizam imagens de satélite para identificar sua formação e evolução. Esses alertas são fundamentais para preparar a população e reduzir impactos negativos.

Comparação com outros fenômenos

A ZCAS se relaciona com outros sistemas climáticos:

  • El Niño e La Niña: influenciam a intensidade e frequência da ZCAS.

  • ZCIT: atua em conjunto, reforçando a convergência de umidade.

  • Frentes frias: podem interagir com a ZCAS, intensificando as chuvas.

Políticas públicas e prevenção

Diante dos riscos, é essencial investir em:

  • Infraestrutura urbana: drenagem eficiente e contenção de encostas.

  • Planejamento agrícola: adaptação de culturas às variações climáticas.

  • Educação ambiental: conscientização da população sobre riscos e medidas preventivas.

A Zona de Convergência do Atlântico Sul é um fenômeno essencial para o equilíbrio climático do Brasil. Ela garante chuvas fundamentais para a agricultura e energia, mas também representa riscos quando se intensifica. Com as mudanças climáticas, compreender e monitorar a ZCAS torna-se cada vez mais importante para prevenir desastres e proteger vidas.