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O sequestro de Fernanda Viana: o crime que revelou Leonardo Pareja ao Brasil

Publicado em 10/11/2025 04:18 | Categoria: Crimes Famosos | 94

Foto de Marcos Santos
Por Marcos Santos
Leonardo Pareja com a refém Fernanda Viana durante o sequestro em Feira de Santana, 1995.
Leonardo Pareja aparece ao lado da refém Fernanda Viana durante o sequestro em Feira de Santana, em 1995.
Feira de Santana (BA), setembro de 1995 – O Brasil acompanhou com atenção e espanto o sequestro da adolescente Fernanda Viana, de 16 anos, sobrinha do então senador Antônio Carlos Magalhães. O responsável foi Leonardo Rodrigues Pareja, que, aos 21 anos, se tornaria conhecido nacionalmente como o “galã do crime”. O episódio durou quase 60 horas e marcou o início da notoriedade de Pareja, que desafiou a polícia e manipulou a mídia em uma fuga ousada.

O início da ação

Na noite de 27 de setembro de 1995, Pareja e um cúmplice invadiram um hotel em Feira de Santana. Armados, renderam Fernanda Viana e outros hóspedes. O parceiro foi rapidamente capturado, mas Pareja manteve a jovem como refém, resistindo à polícia por quase três dias. Coberto por lençóis, dificultava a ação de atiradores de elite e mantinha contato direto com jornalistas.

Negociações e tensão

Durante as negociações, Pareja exigia condições para fuga e chegou a conversar com emissoras de rádio, debochando das autoridades. A cada aparição, sua postura articulada e aparência jovem chamavam atenção, alimentando o apelido de “galã do crime”. A imprensa transmitia em tempo real, transformando o sequestro em espetáculo nacional.

A libertação e fuga

Após 59 horas de tensão, Pareja libertou Fernanda em troca de um carro fornecido pela polícia. A adolescente saiu ilesa, mas abalada. O criminoso seguiu viagem por estradas baianas, trocando reféns em diferentes pontos, até chegar a Bom Jesus da Lapa. De lá, embarcou em um avião para Brasília, onde continuou a desafiar autoridades e conceder entrevistas.

Repercussão nacional

O caso ganhou destaque em jornais e telejornais de todo o país. A ousadia de Pareja, aliada à cobertura intensa, transformou-o em figura pública. Especialistas criticaram a condução da polícia, que cedeu às exigências do sequestrador e permitiu sua fuga. O episódio expôs falhas graves na segurança pública e levantou debates sobre o papel da mídia em crises.

O destino de Pareja

Meses depois, Pareja foi capturado. Em 1996, já preso, liderou uma rebelião de sete dias no presídio de Aparecida de Goiânia (Cepaigo), mantendo autoridades como reféns e novamente atraindo atenção nacional. Sua trajetória terminou em outubro de 1996, quando foi assassinado por outros detentos dentro da prisão, aos 22 anos.

Fernanda Viana foi libertada sem ferimentos, mas o trauma marcou sua juventude. Por ser parente de uma figura política influente, o caso ganhou ainda mais repercussão. Após o episódio, ela manteve vida discreta, evitando exposição pública.

Símbolo da espetacularização do crime

O sequestro de Fernanda Viana não foi apenas um crime isolado. Ele simbolizou:

  • A fragilidade das instituições diante de criminosos ousados.

  • O poder da mídia em transformar violência em espetáculo.

  • A memória coletiva de um país que viu nascer uma “celebridade do crime”.

O sequestro de Fernanda Viana permanece como um dos episódios mais emblemáticos da década de 1990. Ele revelou Leonardo Pareja, um jovem que desafiou a polícia e conquistou espaço nos noticiários, mas cuja trajetória terminou de forma trágica. Mais de duas décadas depois, o caso continua sendo lembrado como exemplo da relação perigosa entre crime, mídia e sociedade.