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Vice-líder de Jerônimo na ALBA rompe com governo e declara apoio a ACM Neto

Publicado em 17/11/2025 13:47 | Categoria: Política | 1.322

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Por Redação L12 Notícias
A cena política baiana ganhou novos contornos nesta segunda-feira (17), com o anúncio da saída do deputado estadual Cafu Barreto (PSD) da base governista na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Até então vice-líder do governo Jerônimo Rodrigues (PT) na Casa, Cafu oficializou sua adesão ao projeto político de ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo estadual. O movimento, divulgado nas redes sociais, repercutiu fortemente nos bastidores e sinaliza uma reconfiguração do tabuleiro político baiano.

Uma perda significativa para o governo

A decisão de Cafu ocorre em um momento delicado para o Palácio de Ondina. Apenas dias antes, o deputado Nelson Leal (PP) também havia deixado a bancada governista para se integrar à oposição, assumindo a coordenação da pré-campanha de Neto. A dupla movimentação fragiliza a base de Jerônimo Rodrigues na ALBA e fortalece o grupo oposicionista, que busca ampliar sua presença em regiões estratégicas do interior.

Cafu Barreto era considerado um dos articuladores importantes do governo dentro da Assembleia. Sua saída, portanto, não representa apenas a perda de um voto, mas também de um quadro com influência política consolidada, especialmente na região de Irecê, onde o deputado construiu sua trajetória.

Em sua declaração pública, Cafu justificou a decisão apontando para o que chamou de “necessidade urgente de mudança” após “duas décadas de um mesmo ciclo político” na Bahia. O parlamentar reconheceu o tempo em que esteve na base governista, lembrando que sua trajetória começou em 2012, quando foi eleito prefeito de Ibititá pela primeira vez.

Segundo ele, a insatisfação da sociedade baiana com os rumos da gestão estadual foi determinante para a migração. “Acredito no nome de Neto, no seu potencial e na força do projeto que representa”, escreveu o deputado em suas redes sociais.

No discurso durante o anúncio, Cafu reforçou que deixava o governo “de cabeça erguida” e destacou que ACM Neto simboliza “mudança, esperança e um novo caminho para a Bahia”. O parlamentar também aproveitou para agradecer aos senadores Ângelo Coronel (PSD) e Otto Alencar (PSD) pela parceria e diálogo ao longo de sua trajetória política.

O ato de adesão contou com a presença de ACM Neto e do ex-prefeito de Xique-Xique, Reinaldo Braga Filho (MDB), coordenador da pré-campanha oposicionista e uma das principais lideranças políticas na região de Irecê. A participação de Braga reforça a estratégia da oposição de consolidar apoios no interior, ampliando a capilaridade do projeto político de Neto.

ACM Neto, por sua vez, deu as boas-vindas ao novo aliado, destacando a relevância de Cafu na política regional. “Cafu é um dos principais nomes da política na região de Irecê, com grande atuação. Tenho um respeito enorme por ele, pela sua história e pelo seu trabalho”, afirmou.

Impactos no cenário político

A saída de um vice-líder da base governista tem peso simbólico e prático. No plano simbólico, sinaliza que o governo Jerônimo Rodrigues enfrenta dificuldades para manter a coesão de sua bancada em meio ao avanço da oposição. No plano prático, enfraquece a articulação política dentro da ALBA, onde cada voto pode ser decisivo em pautas estratégicas.

Analistas políticos avaliam que a movimentação de Cafu e Nelson Leal pode abrir espaço para novas adesões, especialmente em regiões do interior onde a oposição busca se fortalecer. A região de Irecê, por exemplo, é considerada estratégica por concentrar municípios com eleitorado expressivo e lideranças influentes.

O argumento central de Cafu Barreto para justificar sua decisão foi o discurso da mudança. Ao afirmar que a Bahia vive “duas décadas de um mesmo ciclo político”, o deputado ecoa uma narrativa que vem sendo utilizada pela oposição para atrair novos aliados e conquistar o eleitorado.

Esse discurso se conecta diretamente à estratégia de ACM Neto, que busca se apresentar como alternativa viável ao modelo de gestão do PT na Bahia. Ao receber o apoio de figuras como Cafu, Neto reforça sua imagem de liderança capaz de aglutinar diferentes forças políticas em torno de um projeto de renovação.

Repercussões e desafios

A adesão de Cafu Barreto deve gerar repercussões imediatas dentro da ALBA e nos bastidores da política baiana. Para o governo Jerônimo Rodrigues, o desafio será conter novas perdas e reforçar a fidelidade de sua base. Para a oposição, o desafio será transformar essas adesões em ganhos concretos, ampliando sua presença em regiões estratégicas e consolidando um discurso capaz de mobilizar o eleitorado.

Em meio a esse cenário, a política baiana se mostra cada vez mais dinâmica e imprevisível. A migração de um vice-líder de governo para a oposição não é apenas um episódio isolado, mas parte de um processo maior de rearranjo de forças que pode definir os rumos da disputa eleitoral nos próximos anos.

A saída de Cafu Barreto da base governista e sua adesão ao projeto de ACM Neto reforçam a percepção de que o xadrez político na Bahia está em constante movimento. Mais do que uma mudança de lado, o gesto simboliza o fortalecimento da oposição e a fragilidade momentânea do governo na Assembleia Legislativa.

Com a aproximação das eleições, cada adesão ganha peso e pode alterar significativamente o equilíbrio de forças. O futuro da política baiana dependerá da capacidade de cada grupo em consolidar apoios, construir narrativas e dialogar com a sociedade. Nesse contexto, a decisão de Cafu Barreto se inscreve como um capítulo relevante da história política recente do estado.