Motional prepara robotáxis sem motorista para 2026: a revolução da mobilidade urbana
Você já imaginou chamar um carro por aplicativo e ele chegar sozinho, sem motorista? Essa cena, que até pouco tempo parecia saída de um filme de ficção científica, está prestes a se tornar realidade. A Motional, empresa fruto de uma joint venture de US$ 4 bilhões entre a Hyundai Motor Group e a Aptiv, anunciou que pretende lançar um serviço comercial de robotáxis totalmente sem motorista em Las Vegas até o final de 2026.
A notícia chama atenção não apenas pelo impacto tecnológico, mas também pela trajetória curiosa da empresa. Há dois anos, a Motional enfrentava uma crise: perdeu prazos, viu investidores se afastarem e precisou reduzir sua equipe de 1.400 para menos de 600 funcionários. Muitos acreditavam que o projeto poderia não sobreviver. Mas, em vez de desistir, a companhia decidiu apostar todas as fichas na inteligência artificial, colocando-a no centro de sua estratégia de reinvenção.
A virada para a inteligência artificial
Até então, o sistema de direção autônoma da Motional combinava modelos de aprendizado de máquina com programas baseados em regras. Essa abordagem funcionava, mas era limitada: cada novo cenário exigia ajustes manuais e reprogramações.
Com os avanços recentes em IA, especialmente os modelos de linguagem que deram origem ao ChatGPT, a empresa enxergou uma oportunidade única. Inspirada nessa arquitetura de transformadores, a Motional passou a desenvolver um sistema de direção autônoma capaz de aprender de forma mais ampla e se adaptar rapidamente a diferentes ambientes.
Segundo Laura Major, presidente e CEO da Motional, essa mudança foi crucial por dois motivos:
Generalização: o sistema pode ser aplicado em novas cidades sem precisar ser reconstruído do zero.
Eficiência de custos: basta coletar alguns dados locais, treinar o modelo e o carro já está apto a operar com segurança.
Em outras palavras, semáforos diferentes, ruas movimentadas ou cenários urbanos complexos deixam de ser obstáculos. A IA aprende e se ajusta, tornando o serviço escalável e viável economicamente.
Teste em Las Vegas: uma prévia do futuro
O TechCrunch teve acesso a um teste de 30 minutos com o Hyundai Ioniq 5 da Motional em Las Vegas. O carro navegou sozinho pela famosa Las Vegas Boulevard até o Hotel Aria, enfrentando situações que antes exigiam intervenção humana: táxis parados desembarcando passageiros, pedestres atravessando em massa e até uma van da Amazon estacionada em fila dupla.
O curioso é que, em versões anteriores, essas áreas — como estacionamentos e pontos de embarque em hotéis — nunca eram percorridas sem um operador de segurança ao volante. Agora, o veículo conseguiu realizar essas manobras de forma autônoma, mostrando que o salto tecnológico é real.
Ainda há pontos a melhorar. Os gráficos exibidos aos passageiros dentro do carro estão em desenvolvimento e, em alguns momentos, o veículo demorou para contornar obstáculos. Mas o fato de não ter havido nenhuma desativação durante o teste — ou seja, o motorista de segurança não precisou assumir o controle — já é um indicativo de progresso.
O impacto esperado
A Hyundai, acionista majoritária da Motional, está comprometida com o projeto a longo prazo. Para a empresa, os robotáxis são apenas o primeiro passo. A visão futura é integrar o chamado Nível 4 de autonomia — quando o carro dirige sozinho sem qualquer intervenção humana — em veículos particulares.
Isso significa que, no futuro, não apenas os serviços de transporte por aplicativo poderão operar sem motoristas, mas também carros pessoais poderão ser vendidos com sistemas totalmente autônomos.
O impacto dessa mudança é enorme:
Mobilidade urbana: redução de acidentes causados por falha humana.
Acessibilidade: pessoas que não podem dirigir terão mais opções de transporte.
Economia: custos de operação mais baixos para empresas de transporte.
Sustentabilidade: veículos autônomos podem otimizar rotas e reduzir emissões.
Curiosidades que chamam atenção
A Motional já opera robotáxis com motoristas de segurança para seus funcionários e planeja abrir o serviço ao público ainda este ano.
Até o final de 2026, a promessa é retirar completamente o operador humano e oferecer corridas 100% autônomas.
A empresa já possui parcerias com a Lyft e a Uber, o que pode acelerar a adoção do serviço.
Hyundai injetou mais de US$ 1 bilhão para manter a Motional viva após a saída da Aptiv como investidora.
A decisão de “pausar para acelerar” foi vista como arriscada, mas pode ter sido o movimento que salvou a empresa.
O futuro próximo
A ideia de entrar em um carro sem motorista ainda gera estranhamento, mas a curiosidade é inevitável. Afinal, estamos diante de uma mudança que pode redefinir a forma como nos deslocamos nas cidades.
Se em 2010 falar de carros elétricos parecia ousado, em 2026 o destaque será para os carros sem motorista. E a Motional quer ser a pioneira nesse mercado, transformando Las Vegas em laboratório vivo da mobilidade urbana do futuro.
O anúncio da Motional não é apenas sobre tecnologia, mas sobre visão de futuro. A empresa que quase sucumbiu às dificuldades decidiu apostar na inteligência artificial como motor de sua reinvenção. O resultado é um projeto que promete colocar nas ruas, em poucos anos, robotáxis totalmente sem motorista.
Mais do que inovação, trata-se de uma curiosidade que desperta debates: será que em breve pedir um Uber sem motorista será tão comum quanto pedir comida por aplicativo?
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